A resposta é sim! Algumas formas de exercício podem causar queda de cabelos ou pelo menos piorar a qualidade dos fios.
Os exercícios do tipo enduro, de resistência como corrida, ciclismo quando praticados com muita perseverança, por longos períodos, podem piorar a aparência ou causar queda dos fios. Os exercícios de força (carga máxima) por longos períodos, atletas profissionais ou amadores muito competitivos também.
As alterações nos cabelos se devem a uma série de efeitos do exercício sobre o organismo que podem não ser unicamente benéficos. Se você gosta de esportes ou está vivendo esse problema, leia esse artigo até o fim e torne-se um expert no assunto.

Para iniciar essa conversa é preciso frisar que todos os exercícios fazem muito bem à saúde. E, quando bem dosados, tornam sua vida mais longa e mais agradável. Melhora a disposição, a cognição, o humor e todas as funções que seu corpo tem que executar no dia a dia. Dez entre dez médicos defendem que o exercício é um remédio indispensável para sua saúde e deve ser praticado a vida toda.

Ou seja, se você já faz alguma atividade física não pare de fazer e se não faz, considere começar o quanto antes. Siga as orientações de um profissional do esporte de sua confiança.

Mas então, por que e em que situações o exercício causa queda dos cabelos?

Por várias razões. Vamos avaliar por etapas.

A primeira consideração é que os exercícios aumentam a produção dos hormônios da supra renal. Essa glândula, situada logo à cima dos rins, como sugere o nome, é a responsável pela produção do cortisol, hormônios adrenais (adrenalina, noradrenalina) além de pequenas quantidades de andrógenos adrenais. Todos eles aumentam com o exercício.
Vamos falar um pouco de cada um deles.

O cortisol é considerado o hormônio do estresse. Em situações de perigo, risco, cansaço excessivo ou após exercícios intensos a concentração desse hormônio aumenta consideravelmente em nosso sangue. Em especial nos anaeróbicos. Por exemplo, é proibido fazer exercício no dia anterior à dosagem de cortisol. O aumento do cortisol é acompanhado por aumento de adrenalina e noradrenalina. Como consequência, o sistema circulatório trabalha para mandar mais sangue para o cérebro e os principais vasos sanguíneos (coração, pulmão). Nosso corpo interpreta que estamos em perigo, sob alguma ameaça e nos prepara para correr, lutar, pensar rápido e nos deixa em estado de alerta.
Você já deduziu que se o sangue vai para essas regiões nobres, vai faltar em outros locais! E o couro cabeludo que absolutamente não é importante nessa situação, fica com menos ainda! É o suficiente para as células do folículo piloso reduzirem a produção de cabelos. Se esse estresse físico se mantém por longos períodos, seu cabelo fica mais feio ou cai. Falando mais cientificamente, o folículo sai da fase anágena, de crescimento constante. Para de crescer, atrofia e cai.
Um estudo recente da Gideon Koren (2016) descobriu que o cortisol, conhecido como hormônio do estresse, é produzido também pelo folículo piloso. Além desse efeito sobre a circulação, o cortisol altera o metabolismo dos carboidratos e das proteínas. Para nosso corpo, estresse físico ou mental é a mesma coisa. Em resumo, exercício em excesso eleva o cortisol e pode ser a causa da queda de cabelos ou deixar seus cabelos mais fracos, com menos volume, mais fino e, claro, mais feio.

Os andrógenos adrenais podem ser convertidos para as formas mais comuns dos hormônios sexuais que são o estrogênio e a testosterona. Apesar de serem produzidos em quantidades pequenas se compararmos com os testículos ou os ovários, o exercício aumenta a proporção de testosterona circulante no sangue em ambos os sexos. E esse aumento, a longo prazo pode causar queda de cabelos.
O aumento da concentração de testosterona é uma importante causa de afinamento, perda da qualidade e queda de cabelos. Tome como exemplo a queda e piora dos fios das pessoas que usam drogas sintéticas semelhantes à testosterona (esteróides anabilizantes) para melhorar o rendimento esportivo. Depois de algum tempo de uso tanto homens como mulheres começam a perder cabelos.
Nos homens essas alterações são ainda mais marcantes porque o exercício aumenta também a produção de testosterona pelos testículos.

Outro efeito do excesso de exercícios é a produção de radicais livres que também podem afetar os cabelos.
Toda a energia que gastamos no dia a dia vem de um processo bioquímico chamado respiração celular. Nossas células têm várias mitocôndrias que utilizam o oxigênio que respiramos para transformar ADP em ATP que é nossa unidade energética mais utilizada. O resíduo dessa combustão de glicose e oxigênio deveria ser apenas CO2 e água, mas quando gastamos muita energia são produzidos Espécies Reativas de Oxigênio (ROS) que são fortemente oxidativas, ou seja, agressivas ao nosso organismo.
Mais ou menos como lenha. Quanto mais queimamos, mais sujeira sobra para o organismo limpar.

Na verdade, radicais livres são úteis e necessários, mas em excesso causam envelhecimento precoce e vários problemas inclusive perda da qualidade e queda dos cabelos.

E como fazemos para evitar esses problemas sem parar de fazer exercícios?

É simples. Siga essas orientações:

⦁ Alterne períodos de exercícios com repouso. A recuperação e regeneração é tão importante quanto o exercício. Não só para repor as fibras musculares, mas também para eliminar os Radicais Livres e ácido lático.
⦁ Tome muito líquido. Água, isotônicos, água de coco, soluções para reposição de minerais.
⦁ Alimentação saldável. Coma frutas e verduras e legumes e cereais e proteínas e sementes e castanhas. Se faltar algumas vitaminas ou minerais, seu rendimento vai cair e seu cabelo também!
⦁ Use os equipamentos adequados ao esporte que você prefere (sapatilha, tênis, roupa, etc).
⦁ Se você pratica muito esporte, considere a suplementação de nutrientes e medicamentos antioxidantes.